quarta-feira, 11 de outubro de 2017


PALAVRAS


 

Solto palavras …

Solto-as ebriamente

…falo, falo sem voz …

Falo com o silêncio

Escuto o eco…o ruído surdo

Da folha outonal

Que se quebra no chão.

 

Digo,

Sussurro palavras 

Que sempre guardei no peito

 

Desabafo palavras

 

Por mais duras que sejam

As verdades que invejastes

As mentiras enclausuradas

Os segredos, que ninguém sabe…

Apenas eu…

 

Apenas eu…e o silêncio

Simbiose perfeita

Somos um só…

o silêncio…diz-me tudo

digo que as palavras

magoam …

são rudes, são frias…e até matam.

 

Digo que as palavras

Caídas no silêncio

Não serão mais ditas ,

 

Como o silêncio dos olhares dos que amam

num leito quente …

são palavras que não soluçam

são palavras que se escondem no silêncio .

na íris dos olhos

e se calam , e sorriem…

 

digo que as palavras

são armas!!

E ferem quem acredita nelas

E matam depois !

Sim !!

Matam os sonhos

De quem abandonou,

de quem foi abandonado

de quem teve a ousadia de sonhar.

As palavras

São o poder !!

São a raiva e a ira

São o acordar

São o chilrear da manhã…

Quando ditas, no coração!

 

Que raiva !!

Tenho de não as dizer

De as conter

Mas não as posso dizer, por dizer

Por isso converso com o silêncio

E no silêncio me deito

No silêncio repouso

No silêncio me deleito

Escutando a folha outonal

Que se quebra no chão.

terça-feira, 10 de outubro de 2017





A rotina

 
 
 
 
 
Não tenho tempo
O meu relógio não pára!!
Golfadas de tempo assolam-me …
As marés vão e vêm
Ponteiros irrequietos, ponteiros loucos
Rodopiam em círculos
Parecem tão vagarosos !!
Mas, segundos são minutos,
Minutos, horas
Horas, dias, meses, anos
E a vida desfia-se em ocasos
Em chuvas de monção
Em rotinas de estação
Onde apanho o comboio
Para o mesmo trabalho!!
E saio à mesma hora
Com o mesmo cansaço de todos os dias
 
 
Quem me dera não ter horário
Nem picar ponto todos os dias!!
O meu relógio não pára
E já estou atrasado
Para o mesmo cansaço de todos os dias !!
 
Lá vem a senhora de ar cabisbaixo
Com a mesma rotina que eu
Trás na mala o mesmo fado
Entra na mesma estação,
Só pára uma vez por ano
Quando chegam as ferias no verão
 
Que sorte que temos!!
Ter um fim-de-semana
Se não fosse a rotina
De lavar a roupa, passar a ferro
Fazer de comer …limpar o pó
Sacudir a toalha
Sacudir a toalha!!
Só a da praia no mês do verão.
 
 
Quem me dera não ter horário
Poder descansar todos os dias
Trabalhar quando queria!!
Levar na mala, a alegria
Mas a vida é mesmo assim
Lá vem o comboio
O mesmo de todos os dias
Trás o mesmo maquinista
Que tem a mesma rotina que eu
Só que ele sai às três…
O cobrador hoje é outro!!
Mas a farda é a mesma, e a sua rotina também
 
No eléctrico amarelo da mouraria a Belém
Trás lá dentro o carteirista
Que não tem rotina nem horário
Engana todos os que caiam no conto do vigário
E não espera pelo mês de verão.
 
 
Carlos gaspar
8 outubro 2017




 
 

Sossega

 
 
 
Sossega !!
Sossega a alma
Porque enquanto viveres ; a sentes
Porque enquanto  sonhares; a vives
Porque enquanto contemplares ;
…a pintas , a imaginas , a tens,
Mas, sossega.
 
Sossega !
Sossega o egoísmo rasgado
Sossega na folha, as palavras
Deixa-as fluir
Deixa-as ser quem são
Deixa as palavras , edificar as metáforas
Não deixes que lhe deturpem o sentido
…os sentidos ; que edificaste na cidade
Fria , cinzenta , impetuosa , poluída .
Mas , sossega .
 
 
 
Sossega !
Sossega os olhos,  e adormece
Não deixes!!
Não deixes que te roubem os sonhos
Não deixes que te amedrontem a alma
Dá-lhe asas , e voa
Voa na noite , pousa num ombro amigo
Mas , sossega.
 
Sossega !
Sossega e canta
Canta a trova , canta a canção que escreveste
Encanta a alma , desesperada , ansiosa,
Plena de futilidades ,
Mas , sossega.
 
Sossega !
Sossega e rasga a folha rasurada
Mas, pega noutra
Pega na caneta cansada
Pega na alma desfolhada
Pega na mente alucinada
E escreve o verso
Iludido , lúcido, o verso do sentido
O verso da alma
Porque enquanto viveres … a sentes
Mas , sossega !!
 
 
 
Carlos gaspar
5 outubro  2017.






miragem



 

 

Tenho em mim a miragem

Miragem de escrever o verso

onde tudo se inclua

até esse teu peito

donde nasceu o universo

 

universo

onde tudo cabe

onde se perdem os sonhos

intermináveis , ambíguos

onde as estrelas cintilam e flutuam.

 

É nesse infinito

Que peço perdão

Que por ser infinito , não tem eco

E se perde na imensidão.

 

 

 

Tenho em mim a miragem

De entrar nesse teu peito

E tocar a aveludada constelação

( que privilégio!! )

É nesse infinito que me perco

É nesse infinito que peço perdão .

 

Se consideram as minhas palavras ambíguas

E lhes mudam a razão

É porque nunca contemplaram o céu

É porque não sentem a miragem do sentir

Sejamos coerentes e caminhemos para sempre.

 

E se eu fosse eterno !!??

Ai!! Se eu fosse eterno  !!

Como o tempo infindo

Jamais trairia os olhos

Na miragem das palavras

Onde enxugo as lágrimas

Do sentido

De que quem chora, ao pedir perdão.

 

Ai !! se eu fosse eterno

Se eu fosse eterno

E entendesse o infinito

Todos os dias brotaria palavras

A descrever os meus sentidos .

 

Tenho em mim a miragem

De tudo crer ver, e sentir

Tenho em mim a miragem

De quem pediu perdão

Mas, não foi escutado.

 

Ai !! se eu fosse eterno

Se fosse eterno

Escreveria o fado angustiado da saudade

Com palavras ambíguas

Intermináveis, metáforas brotadas de teu peito.

 

 

 

È nas lágrimas que não verto

Que me degusto e deleito

Na minha sã loucura

Onde tudo cabe

Onde tudo tem a sua razão

Ai!! Se eu fosse eterno

Todos os dias escreveria

E pediria perdão.



5 outubro 2017


Carlos gaspar

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016


 
 
Poema que desunho
 
…soltam-se palavras…poema
Não as quero prisioneiras,
Não as quero dentro de mim
Rasgo agora o rascunho
Desunho
Para que se soltem na tua tez branca
Não quero palavras na prisão
Não quero palavras amorfas, e moribundas
Quero que leias o poema
Das palavras livres e dos sentidos arrepiados
Quero que leias o poema
Dos sentidos descalcificados
Escrevo mais uma linha inacabada
Por enquanto
Risco o rascunho
E desfloro a metáfora
Que sinto no paladar
Arrisco tudo sem nada arriscar
Poema de sentidos
Rascunho que me desunho
E no meio de uma metáfora
Solto as palavras
Prisioneiras palavras, linha inacabada
Mente atormentada
Escrevo, por escrever
Poema que diz tudo e não diz nada
Jamais entrarás dentro de mim
E visitarás as palavras de contentamento
Que plantei no meu jardim
 
Jamais sentirás o aroma das palavras
Que libertei, que já não são prisioneiras
Desfloro metáforas
Que sinto no paladar.
 
 
 

Carlos Gaspar 2016

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016





Viajantes do tempo

 

Somos viajantes do tempo

E no tempo divagamos, no tempo procuramos a razão

De desbravar os sentidos

Senta-te nesta cadeira e viaja comigo

Pelos céus, sob lágrimas dos deuses

Anda comigo…. Sonhemos

Sinfonias, tocam as almas dos perdidos no tempo

Harpas e violinos, embalam os que sonham

 

Os sonhos, não passam disso mesmo…de sonhos !!!

Somos pássaros livres, nós os viajantes do tempo

Vivemos em todos os tempos

No passado, no presente no futuro

Vivemos em recordação

Ardemos em constante labareda em lume brando

Jamais envelheceremos

Somos viajantes do tempo

Estrelas cadentes percorrendo o universo

Atravessaremos buracos negros

Somos pontos luminescentes

Somos arco-íris efémeros

Sob a chuva colorida que nos molha o rosto.

 

 

 

 

 

 Somos viajantes do tempo

Ponteiros, suspensos no espaço

Relógios de sol, adormecidos na penumbra

Ampulhetas partidas

Vem, vem sentar-te nesta cadeira

…Comigo… viajante do tempo

Contemplaremos auroras e ocasos

Sem calendário, sem relógios ,

Somos viajantes do tempo

Sinfonias, tocam as almas dos perdidos no tempo

Harpas e violinos, embalam os que sonham.

 

 

 

Carlos Gaspar 2016

quarta-feira, 25 de novembro de 2015





Folha rasurada

 

Olho para ti, alva

Branca e limpa

Absorvo a tua textura , desabafo…

Ai!! Como te quero rasurar!!!

Meu peito dói-me, alguma metáfora sairá

E enaltecerá o que meus olhos abarcam

E quando passar na viela

Verei rostos brilhando, sorrindo para uma vida

Desenho com palavras, os rostos os sorrisos

Traquinas e jovens  …invejo!!

E rasuro dentro de mim a minha inveja

Que outrora também foi traquina e jovem

Rasuro pela palavra, desejo

Desejo ser eternamente jovem

Desejo eternamente sorrir, para ti

Que passas agora por mim na viela

Desejo dentro de mim, rasurar palavras que não gostarias de ler

E escrever a metáfora, que define o sorriso

Ai! Como te desejo rasurar

Folha alva, branca e limpa

Encontrarei a metáfora

Que me soltará o sorriso aprisionado

Libertarei as mãos e abrirei a gaiola

Onde mantenho a pomba aprisionada

E encontrarei…paz,

E na viela voltarei a sorrir

E tu que passas, ao ver-me sorrir

Sorrirás também

E contagiaremos o mundo que sorrirá

Em uníssono…

Rasuro a palavra guerra…por sorriso

E riremos em comunhão

 

Ai ! como me dói o peito!

Ai ! como sinto, a caneta , gasta e cansada

Amachuco papel…rasuro o fel

Rasuro sonhos por realidades

Mas continuo a sonhar na metáfora

Que definirá o sorriso, a felicidade

De todos os povos do mundo

Que um dia chorarão impulsivamente

Por se terem cruzado na viela

Com o sorriso que defino como alegria.

Rasuro a palavra chorar…por alegria

 

 

 
Carlos gaspar

quarta-feira, 11 de novembro de 2015






Tenho medo

 

 

Já rasguei a página

Onde tinha escrito os meus medos guardados

Agora escrevo um poema rasurado

Onde abandono despojos de recordação

Entre túmulos e sarcófagos

Jaz  minha mente cansada.

 

No campo de batalha…escrevo-te uma carta

De sentidos doridos, de alma ferida

Estou cansado de escrever!!!

Cartas debotadas, rasuradas

Desta guerra, dentro do meu ser

Das lágrimas que verto

Ao sentir o tempo correr.

 

Já não sei se te amo

Ou se te faço sofrer

Já não sei se te quero

Nem sei, se te quero, ou quem sou

Nunca mais serei o mesmo

Depois de te ver chorar ao alvorecer

 

Trémulo, escrevo

O que não te quero dizer

Tenho medo de te olhar nos olhos

E de os ver envelhecer

Tenho medo de estar contigo

E tenho medo de não te ter

Tenho medo de morrer sozinho

E nada te dizer!!

 

Tenho medo da essência do prazer

De morrer em pecado

De perder tudo

E nunca ressuscitar

Para te escrever um poema rasurado

E te fazer chorar a cada alvorecer.

 

 
 
Carlos Gaspar

 Novembro 2015